Cirurgia Plástica
A cirurigia plástica se banalizou no país e por duas vias. Primeiro pelo fato de ela não mais tratar de quem precisa de tratamento, mas também – ou quase sempre — de quem não precisa de tratamento. Ou melhor, de quem acha que precisa, de quem tem uma necessidade psicológica de passar por um procedimento cirúrgico que não é recomendado para sanar nenhum impedimento, mal funcionamento ou coisa semelhante em seu corpo. Depois a banalização da cirurgia plástica no Brasil ganhou seu derradeiro impulso com o parcelamento a perder de vista, além de preços em queda livre, o que tornou possível que até a classe média baixa entre na faca para acompanhar um padrão estético cada dia mais exigente e que não se baseia em personalidade, charme ou qualquer coisa pessoal. Se baseia apenas no rosto e corpo sem carácter, sem personalidade, produzido de acordo com uma fôrma através de lipoaspiração, lipoescultura, colocação de implantes de silicone, correções faciais e etc. Os dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica são mesmo estarrecedores. Em média, os procedimentos cirúrgicos realizados no país batem na casa dos 500 mil por ano. Além disso, o Brasil ocupa o sendo lugar no ranking mundial de volume de cirurgias plásticas (atrás apenas dos EUA) e ocupa ainda o primeiro lugar quando se considera o número absoluto de cirurgias feitas. E olha que estes números encontram-se em franca ascensão, pois em 2007 o total foi ainda maior, com 700 mil cirurgias plásticas ocorrendo no território nacional. Mas não é de hoje que médicos sérios têm tentado alertar a população. Porque não se pode “comprar” cirurgia plástica da mesma maneira que se compra um CD: apenas comparando preços. Além disso, não se pode achar que uma cirurgia, seja ela qual for, não coloque em risco seja a sua vida, seja a qualidade da sua vida. E é ainda preciso ficar atento aos casos que deram errado e que, claro, não aparecem nos sedutores anúncios de página inteira das revistas do país.
